Permitam-me então, se bem que um pouco Off-Topic uma vez que este fórum é de TA's, colocar aqui um relato que escrevi para um forum onde sou Administrador, o www.scooterpt.com
Espero poder de futuro fazer uns relatozinhos mas sobre Transalp's:
Até pode custar, mas depois de experimentar fica-se viciado.
Foi pelo passeio, pela aventura e pelo desafio, que mais uma vez perguntei à Heinkel se lhe apetecia uma passeata até ao Algarve.
Não se fez rogada e com pouco mais que instalar de novo o leitor do Road-Book, lá esperamos pelo Vasco (S800) na sua confortabillisima Helix e na quarta-feira ao fim do dia arrancamos para o que iria ser o melhor Lés a Lés até à data. É verdade que ainda não fiz assim tantos, mas este foi o exemplo da importância que uma equipa motivada e conhecedora tem no atingir de um objectivo.
Pernoita em Amarante e pelas nove da manhã, lá estavamos nas verificações técnicas.
Formávamos um equipa diferente, com a idade das máquinas somadas a chegar aos 64 mas longe da ideia da reforma., canta Jack Johnson e nós não poderíamos estar mais de acordo. Com o número de equipa 3 atribuído, dirigimo-nos à Casa de S. Cristóvão, um alojamento de turismo rural a 50 metros do palanque gerido por gente muito simpática e disponível, onde nos foi atribuído o quarto número...3.
Saída para o prólogo, pelas serranias do Barroso e aldeias do concelho, antevendo-se já as durezas do percurso que nos esperava até Sul. Três baixas, uma delas da equipa nº1 de que fazia parte o Sr. Pinto, verdadeiro motociclista, com uma magnifica Harley e o filho. Os desejos de rápida recuperação.A melhor surpresa do dia, a visita do Paulo Salgado na sua Heinkel, que saiu de Guimarães afirmando à mulher que ia dar uma volta para carregar a bateria! Obrigado pela tua presença que se repetiu na madrugada seguinte, dessa vez acompanhado pelo Eusébio. Obrigado. A vossa força surtiu efeito.
Antes do jantar fomos presenteados com uma chega de bois, actividade que eu desconhecia totalmente até à data e onde ficou célebre o comentário, dito com entusiasmo por um verdadeiro fã local da actividade, “Grande boi, isto é que é um boi”!!
Sete da manhã do dia seguinte e iniciamos a 1ª etapa que nos levaria a atravessar o Douro vinhateiro e as Beiras, a rota histórica do Barroso à Beira Raiana em 11 horas e meia de condução a completarem 412 Kms. Fomos os segundos a partir e assim que eu e o Vasco deixamos de estar ofuscados pelo flash da máquina dos omnipresentes Paulo e Ozébio, conseguimos coordenar esforços de tal forma que assumimos de imediato a liderança e a mantivemos durante quase todo o dia.
Por Pedras Salgadas e pelo Tâmega a caminho de Tresminas, exploração aurífera do tempo dos romanos, Murça e Linhares a Ansiães e o Douro por companhia pelo cachão da Valeira quando a temperatura fazia já adivinhar a canícula que nos acompanharia até Olhão. Passando por Ranhados a Scuderia Sereníssima chega a Meda para o almoço a cumprir o horário previsto. Por Marialva, Pinhel, Malhada Sorda e Castelo de Vilar Maior, Sabugal e Sortelha com passagem pelo Fundão lá seguiu a Scuderia Serenissima, com o Vasco a puxar por mim mantendo-nos sempre no horário ideal. Os intercomunicadores revelaram-se preciosos, permitindo-nos não só dizer umas asneiras como tirar dúvidas sobre o percurso sem ter de parar. E foi esta serena regularidade que nos permitiu subir o palanque em Castelo Branco em primeiro lugar. Com alguma surpresa, confesso, recebemos as palmas dos espectadores e os parabéns da organização.
Mas não nos deixamos dormir sobre os louros. Depois de um retemperador jantar, onde aproveitamos para dar umas sugestões ao estreante Outeiro daqui do fórum e ao seu companheiro Fontes que aparentavam já algum cansaço.
A madrugadora partida foi dada às seis horas e meia com o tempo já quente apesar de encoberto. Aguardavam-nos 508 Km’s até Olhão, por um interminável Alentejo tórrido.
Portas do Ródão e a Serra de S. Mamede a pôr à prova a capacidade de refrigeração dos travões das máquinas. A Heinkel a portar-se bem nas acelerações, entusiasmada pela Helix do Vasco que seguindo sempre uns 50 metros à frente, permitia-me avaliar antecipadamente as curvas aproveitando assim ao máximo os 9,5Cv do motor da Heinkel. Ajudou aqui também muito o sistema de intercomunicadores com que nos equipamos, curiosamente a funcionar também no canal 3!, pois permitiu-me ultrapassar camiões em plena curva fechada, perante o ar mais que surpreso do condutor, pois o Vasco que já tinha ultrapassado, anunciava-me pelo rádio que a estrada estava livre.
Flor da Rosa, Crato, Fronteira e Veiros com o seu belo pelourinho em mármore, Borba e Vila Viçosa, Alandroal e Mourão.
Chegados à nova aldeia da Luz, talvez a única no país com ar condicionado no tasco local, almoçamos uma salada e sem mais delongas fizemo-nos à estrada, pois Olhão ainda não se via no horizonte. Amareleja, Moura e descida ao Pulo do Lobo, onde custou...a subida.
Chegados à fronteira com o Algarve, mas através da ribeira do Vascão, sentimos algum orgulho em a termos atravessado sem sobressaltos, perante as dificuldades mostradas por algumas Maxi-Trails que estariam, em principio, no seu habitat natural. A Serra do Caldeirão, poeirenta e quente, foi a parte mais difícil para mim, feita sem travão de trás e com o da frente tão quente que a sua actuação quase não se notava. Valeu-me o robusto motor a 4 tempos da Heinkel, com algumas reduções e entradas em curva a serem feitas de forma mais brusca que o aconselhável. Uma delas mesmo a lembrar-me que a roda da frente bloqueada em curva não é boa ideia.
A vista da ponte romana de Quelfes anunciou-nos a proximidade do final que já ansiávamos em atingir. Entrada em Olhão, para nós triunfal, apenas uns 15 minutos após a hora ideal e subida ao palanque de imediato.
Elogiados por muitos, entrevistados pela televisão e imprensa da especialidade, esta maratona provou a capacidade inabalável das Scooters e de uma equipa motivada e organizada.
A Scuderia Serenissima.
Vasco, obrigado.
Regressamos no dia seguinte, acompanhados pela equipa 39 que conseguiu terminar com sucesso e dentro do horário o seu primeiro Lés a Lés.
Com escala em Caldas da Rainha, lá cheguei ao Porto na segunda feira pelas 15:00h
Agora só me resta....esperar até que abram as inscrições para 2010.
As minhas fotos são poucas e fracas, mas a Heinkel precisava sempre das duas mãos.
















Já agora, ontem à noite estive a falar com uma rapariga que é conhecida creio que do CSampaio e cujo namorado/noivo, também participante deste fórum, esteve para fazer o Lal, mas ao que parece à última hora o companheiro de equipa não pôde ir.
Na próxima é avisar que se arranjava sempre uma solução.
Abraço.