Bem-vindo ao fórum das grandes máquinas.Boas transalpadas!

TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Compartilhe

Sapiens21
Mota ligada
Mota ligada

Número de Mensagens : 5
Masculino
Idade : 37
Data de inscrição : 03/06/2012

TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Sapiens21 em Dom 17 Jan 2016, 17:45



Voltei a ser criança…

O estado adulto, de compromissos, regras de sociedade, afazeres e horas marcadas, levou um abanão como há muito tempo eu não sentia na minha vida!

Ao longo do nosso crescimento existem coisas que nos marcam, umas de forma passageira e que o tempo se encarrega de apagar…e outras de forma mais profunda, mais íntima, capazes de ganhar espaço no nosso coração e aí ficarem até serem recordas novamente.

Desde jovem e adolescente, ainda bem longe de olhar para as motos como o faço presentemente, houve uma que me marcou bastante…e fê-lo de tal maneira que até hoje conseguiu manter em mim um cantinho muito especial: falo da mítica Honda Africa Twin!
Porém, o que era antes já não o é agora e desde o ido ano de 1988, altura em que surgiu pela primeira vez o nome Africa Twin, muita coisa mudou no panorama do motociclismo.

A história e a própria escolha do nome deste modelo, estão intimamente ligados ao rally Paris-Dakar, prova que eu tentava tanto quanto possível seguir, ainda que não houvesse porventura nem 1/10 da informação e facilidade na sua obtenção quando comparado com o que se passa neste agora apelidado de “Mundo da era digital”.

Pois presentemente e após tanto desejo da minha parte, nomeadamente pela possibilidade de ter na minha presença a nova versão da Africa Twin, voltei àquele estado de puto ao sentir reavivada a memória e a emoção com que acompanhava os feitos de “homens de barba rija”, que estarão para sempre associados ao Dakar.


Porém, devo aqui fazer já uma confissão no sentido de transmitir que a qualidade em que me coloco para fazer este test-ride, me deixa numa posição algo delicada, pois se por um lado faço gosto em ser isento na descrição dos modelos que me passam pelas mãos e este não será excepção, por outro lado encontro-me algo “fragilizado” por um amor platónico que tenho e sempre tive com a mítica Africa Twin…

Ora isto que acabo de dizer será porventura aquilo que nunca se deve mencionar, nomeadamente antes de iniciar a descrição de um teste feito na primeira pessoa.
Mas eu disse-o em consciência, até para me obrigar a mim mesmo à isenção com que descrevo ao leitor aquilo que senti, a experiência por que passei, aquilo que vivi durante umas boas horas com este modelo…

Aliás, disso é exemplo o meu chegar ao concessionário e com que início a descrição deste test-ride!

Já tinha estado junto ao modelo há dois dias atrás e preparava-me para somente na semana seguinte poder, tal como os demais, efectuar o desejado test-ride.

No entanto e num daqueles raros momentos em que se utiliza a expressão “alinharam-se os astros”, recebi na tarde de 6ª feira o contacto do concessionário Motodiana a informar-me que a partir do dia seguinte – hoje – a Africa Twin (versão com caixa normal) estava à minha disposição para teste, no seguimento da autorização expressa pelo Director de Comunicação e Relações Públicas da Honda Motor Europe Portugal ….e eu perante aquilo…pfff…parece que nos momentos seguintes já não conseguia fazer nada.

Preparei todo o meu equipamento de moto na noite de 6ª feira, coloquei as pilhas da máquina fotográfica à carga, verifiquei o perfeito funcionamento do tripé extensível, fui ver o tempo na app do telemóvel e…bolas…a noite custou mesmo a passar!

Levantei-me logo bem cedo para me dirigir pouco depois ao concessionário e, à semelhança do que ocorrera dias antes quando estive a apreciar o modelo, desta vez a coisa não se fez por menos…logo à chegada os meus olhos procuraram avidamente e através do gradeamento do concessionário (ainda fechado quando cheguei) por aquele modelo que desde há semanas me estava a ocupar a mente, nomeadamente onde ir com ela quando chegasse o momento, o que testar, que tipo de caminhos escolher, enfim…um modelo que me desassossegava o pensamento.

Chega momentos depois o gerente do concessionário, como que mostrando bons exemplos aos funcionários da casa e sendo o primeiro a chegar e, logo que se abre a porta….hei-la novamente….bolas…mesmo tendo passado apenas breves dias desde que estive junto ao modelo já noite dentro, voltei a ficar sem palavras, agora com a luz natural a incidir sobre aquela máquina….




Quase 28 anos depois da primeira Africa Twin ter sido dada a conhecer ao Mundo, a 20 de Maio de 1988 e com a designação completa de Africa Twin XRV650 RD03, ali estava eu com um dos nomes mais conhecidos no Mundo do motociclismo, ali estava eu a admirar uma máquina que tinha no seu início de história tanto significado no gosto que tenho pelas motos.

A Honda ao ter-lhe aumentado a capacidade do bloco, deu-lhe também um nome a condizer e portanto a nova Africa Twin 2016 acrescenta-lhe a designação CRF 1000L, nome que poderei vir a utilizar ao longo da descrição deste modelo.

E…meu amigos….a este modelo não falta imponência, não falta presença, não faltam os genes que a associam de forma indelével às provas de ultra resistência no todo-o-terreno.

Com uma altura ao solo apreciável, umas suspensões com um curso visivelmente avantajado e bonitas jantes de raios com dimensões mais do que convidativas ao off-road, a nova Africa Twin não é de maneira nenhuma uma moto que se fique por meras subidas do passeio na rua ao pé de casa…

Decido voltar a sentar-me (a vontade que tinha a isso me incitou!) e a altura a que está o banco com duas posições - 850/870mm – quase que me atirou à cara que estou a ficar um nadinha velho para estas coisas e que devia ter agora 20 anos para esticar assim a perna à Jean Claude Van Damme...

Ainda sobre as posições do banco de série, cumpre-me dizer que o sistema não é aquilo a que se possa chamar de rápida operação, ou seja, implica retirar o assento do condutor (banco bipartido) e fazer-se depois o encaixe na posição desejada.

Porém, e para que não se olhe para estes números com frieza e também para que se perceba o que de seguida vou dizer, informo que na posição de sentado e com os meus relativamente modestos 78kg, a Africa Twin parece agachar-se ligeiramente para melhor me acomodar, com aquele banco de perfil relativamente estreito na zona mais próxima ao estilizado depósito (18,8L de capacidade) a promover um esticar quase desimpedido das pernas, pelo que agora e sendo a segunda vez que me sentava nela, já não foi com surpresa que senti os meus 1.81m a ficaram perfeitamente no controlo da máquina, com a zona do calcanhar a ficar a meros 2cm de ficar rasante ao chão e o peso de 228kg em ordem de marcha a não se fazer sentir negativamente com ela assim parada.




Aliás, a respeito do peso devo dizer que é surpreendente aquilo que os técnicos japoneses da marca conseguiram fazer com a Africa Twin CRF 1000L, pois apenas para se ter uma ideia, a versão standard consegue ser mais leve que uma Honda Integra 750 ou uma CrossRunner 800X…menos 8Kg para a primeira e menos 14Kg que a segunda, para ser preciso!

Tive ainda a oportunidade, que o apertar do tempo me fez escapar, de tirar uma foto lado a lado com uma NC750X, modelo que tem sido um caso de sucesso para a  marca e, olhando repetidamente para uma e para outra, não conseguia perceber como é que a Africa Twin pesava apenas mais 9Kg.

Não digo que as suas verdadeiras concorrentes andem longe destes números, mas a forma como está distribuído e colocado o seu peso, dá uma enorme confiança, atirando para bem longe a ideia prévia de que poderia ser um mastodonte difícil de segurar…
E a verdade é que se sente positivamente a cura de emagrecimento a que terá sido sujeito este modelo, cujas dimensões e quando avaliado meramente através do olhar, nunca o fariam supor.

Inclinando-a para um lado e para o outro e mesmo com o depósito com uns valentes litros lá dentro, fica-se logo ali com uma clara sensação de que o seu peso não assusta, permite um manuseio à mão sem grandes dificuldades e não se manifestará negativamente em condução, situação esta que só mais à frente poderia confirmar.

Ainda junto à máquina e espreitando igualmente a unidade que se encontrava dentro do concessionário (versão ABS), não pude deixar de notar alguns detalhes que me prenderam a atenção, como a estilização daquela frente com duplos faróis a fazerem uso da tecnologia LED (no caso das versões ABS+HSTC e DCT os piscas são igualmente em LED); a qualidade colocada no estofamento do banco e que acompanha o esquema de cores da própria moto; o vidro frontal de altura média e bem integrado na carenagem frontal; os discos duplos flutuantes em formato pétala e de generosas dimensões na roda dianteira; a semi-carenagem que lhe alarga os “ombros” e dá volume à sua presença; a tonalidade dourada e de bonito efeito presente na forquilha invertida….enfim, detalhes que são mais do que detalhes…são parte integrante da personalidade de um modelo que foi reavivado e actualizado para um mercado internacional, desde há muito ávido da sua presença.




Mas o vincar da sua personalidade é mais vasto de que meros 4 ou 5 apontamentos e pouco depois estava a prestar atenção à generosa largura do guiador com os seus punhos bem colocados nas extremidades e protegidos por resistentes hand-guards (excepção feita à versão standard, que os tem como opcional); umas peseiras que me pareceram feitas para aguentar perfeitamente com um tipo de +150Kg carregado de equipamento; umas grandes jantes de alumínio – 21’/18’ ; um escape bastante volumoso e, direi até, bem integrado no estilo trialeiro da moto, cuja extremidade inferior do escape, bastante inclinado por sinal, se situa por certo a uns 80cm do chão e a adivinhar a passagem em cursos de água; e umas suspensões para trabalho heavy-duty (situações duras e difíceis) com uma forquilha de longo curso, invertida e ajustável Showa, bem coadjuvada por um braço de suspensão traseira com amortecedor hidráulico e ajustável na carga….tudo isto num pacote muito sólido e cheio de carácter aventureiro, quase como que a falar comigo e a dizer-me:
“A minha vocação não é só aquela que a esmagadora maioria dos compradores deste tipo de veículos lhes dá - estrada, empedrado, estrada, empedrado…e um dia a título excepcional, um pouco de terra batida. Não!! A minha vocação tem limites com que muitos daqueles que me compram, nunca sequer sonharão.”

Depois de apreciada a qualidade de construção apresentada por este modelo e o uso de materiais que aparentam ser feitos para durar anos a fio, aproveitei a luz natural e dediquei a minha atenção ao quadrante da Africa Twin…e aqui parece que foi uma equipa de design um pouco “p’rá frentex” a usar o espaço da forma mais criativa possível.

E com franqueza, o resultado ficou excepcional, ainda que compreenda que os mais puristas quisessem algo com um estilo menos “High Tech” e quiçá mais conservador na apresentação da informação. Com duplo painel digital, o superior colocado de forma horizontal e logo abaixo outro colocado na vertical, bem coadjuvados em ambos os lados por dois painéis multi-informativos, a Africa Twin disponibiliza ao condutor uma panóplia de informação e com uma correcta legibilidade.


Além das informações normais, o computador de bordo da Africa Twin e conforme a versão, apresenta ainda as seguintes: nível selecionado para o Traction-Control; indicador de mudança engrenada a cada momento; consumo médio; temporizador do tipo elapsed time….enfim…muita informação, distribuída de forma espaçada no quadrante e suficientemente visível, sem ser propriamente boa, quando sob luz directa do sol.

Venham as chaves s.f.f…

O puto…eu…estava completamente em pulgas para colocar novamente em funcionamento aquele novo bloco de 2 cilindros paralelos, cambota a 270º e praticamente 1000cc, que havia sido estudado, desenvolvido, testado arduamente e fabricado pela Honda para dar luta num segmento de mercado em que militam nomes tão sonantes quanto a divergência na cilindrada e potência que apresentam, como as GS’s, as Teneré, as V-Strom 1000, as Tiger Explorer, as KTM Super Adventure, etc…

Aliás, ainda sobre o motor, é importante mencionar que não foi em vão que a cambota foi colocada naquele grau, pois os engenheiros que estudaram a sua colocação chegaram à conclusão que esta era a melhor forma de reduzir a inércia inicial da entrada do binário, traduzindo-se no chamado traction feeling.

A arquitectura da cabeça Unicam poupa peso na parte superior do motor, enquanto que o armazenamento de óleo foi colocado de forma a deslocar a massa para baixo.
Este motor foi criado de forma bastante compacta e isso nota-se mesmo ao olhar, sem ser necessário fazer uma comparação com outros modelos concorrentes, nomeadamente o conhecido e desmedidamente proeminente boxer germânico.




Dou à chave, o quadrante ilumina-se com um bonito efeito, pressiono o starter…e o motor acorda com um rugido que sai rouco e poderoso pelo super volumoso escape de dupla saída, presente de série na nova Africa Twin.

Tento falar com o meu interior para dizer que, apesar de devidamente equipado, não o estou a ponto de me meter em hard-adventures…que a minha experiência em off-road numa Transalp aqui há tempos vale o mesmo que manteiga colocada ao sol….e que o meu conhecimento e à vontade com a Africa Twin deveria ser feito com cautela.

Escusado será dizer que mandei as minhas medidas de auto protecção à fava e depressa me esqueci do que tinha passado pela minha cabeça.

A Africa Twin definitivamente não é uma moto silenciosa e quem a compre presumo que também não seja isso que nela procure, tendo me ela dado isso a entender de forma bem vincada logo ao rolar as primeiras centenas de metros.

Mas, por outro lado, este modelo conseguiu presentear-me…como hei-de dizer….conseguiu mostrar também e apesar dos decibéis que a acompanhavam, que é uma moto civilizada na disponibilização e entrega do motor a velocidades tranquilas, com acelerações progressivas e suaves q.b. se for essa a vontade do condutor e as condições de tráfego assim o impuserem.




Apontada a máquina para estrada aberta e por mim bem conhecida (em parte coincidente com o traçado aprovado pela Honda Portugal), tendo o prévio cuidado de verificar não avistar ninguém até onde os meus olhos conseguiam alcançar, decido atacar o punho direito com determinação e assim dar uso à expressão inglesa What’s What, que é como quem diz….deixa lá ver o que vales!

E a Africa Twin mostrou mesmo!

Os 94cv podem soar a pouco para aqueles que têm padrões muito altos e que só se contentam com tudo o que tenha números com três dígitos, mas os técnicos que estiveram por trás do projecto Africa Twin 2016, não quiseram deliberadamente ir atrás da corrida dos números relativos à potência, procurando sim apostar na forma como descarrega o seu binário, notando-se isso na força que ela tem, num poderio imenso a disponibilizar o seu binário logo desde baixas rotações, quando a vontade do condutor é essa mesmo.

Não deverá ser uma moto que suplante as suas concorrentes em top-speed…não será mesmo!
Mas isso não significa que demonstre algum queixume em conseguir velocidades de cruzeiro bastante boas para o estilo de moto em causa, dando como exemplo ter feito um troço de 10-12Kms a uma velocidade constante e bem acima do que devia (não interessa mencionar números!), sentindo por parte da mesma uma enorme reserva de potência para galgar mais velocidade se fosse essa a vontade.

É fácil andar depressa com a nova Africa Twin, é fácil e muito rápido atingir velocidades elevadas, tendo de ser o subconsciente a dizer-me para manter a calma e tratar de conhecer a máquina primeiro…

Ainda de alguma forma relacionado com a velocidade, que francamente não me parece ser uma área a que deva dedicar muito tempo tendo em conta o tipo e segmento de moto em causa, é relevante mencionar o reflexo da mesma no condutor… É que dei por mim a circular relativamente rápido e com um à vontade verdadeiramente indescritível, envolto numa estabilidade à prova de crítica e que me foi concedida pela Africa Twin.

A solidez apresentada pelo quadro, com berço semi-duplo em aço e sub-quadro traseiro em aço de elevada resistência, trabalham de tal forma bem em conjunto com a suspensão, que conseguem garantir uma circulação carregada de uma sensação de domínio, de controlo, de supremacia sobre o tipo de via em que se circula.




A Honda não colocou a coisa por menos e a solidez apresentada por este modelo é um verdadeiro cartão de visita, sentindo-se no mais pequeno pormenor.

Até mesmo os comandos, de dimensões perfeitamente aptas ao fácil accionamento com luvas de cross, demonstravam a atenção ao detalhe, acrescendo a isso uma grande qualidade percebida no accionamento de qualquer um deles.

Quanto à protecção aerodinâmica, devo dizer que não é nem boa nem má...
Quem ler esta frase ficará a saber o mesmo que sabia antes de a ler…mas eu explico o que senti!
Numa condução sensivelmente a ritmos de estrada nacional e num espectro mediado entre os 90-110Km/h, a protecção oferecida considero-a bastante aceitável na zona do tronco e cabeça, não causando nenhum turbilhão de vento desagradável nem permitindo reflexos negativos no capacete.

Porém e elevando o ritmo para lá destas velocidades, o vidro de série da Africa Twin e que considero ser de altura média, começa a mostrar algumas limitações, tendo começado a ouvir alguns silvos mais fortes e a sentir alguma turbulência no capacete, além de a pressão do vento começar gradualmente a fazer-se sentir à medida que vão subindo os números no painel digital…
Claro que não posso estar à espera de ter a protecção de uma GoldWing, mas não poderia deixar de mencionar aquilo que senti tendo em conta a minha estatura, podendo o que descrevi ser sentido a outras velocidades dependendo da altura do condutor.




Não apanhei curvas muito pronunciadas nem as fiz com especial velocidade, mas não pude deixar de notar que a Africa Twin estava equipada com pneus maioritariamente destinados a circulação de estrada.

Aliás, olhando para o tipo de pneu em causa (Dunlop Trailmax), apenas com alguma boa vontade lhe atribuiria o título de pneus mistos…
Se por um lado já estava a antever que o comportamento em off-road se iria ressentir bastante com este tipo de pneus e que na minha humilde opinião serão um pouco sofríveis para esse tipo de condução (mesmo atendendo às boas specs apresentadas por este modelo)…por outro lado não posso deixar de compreender a opção e ideia da marca.

Na verdade são muitos, mesmo muitos os que compram um modelo deste género só para dar o mesmo tipo de voltas e no mesmo tipo de percursos que fariam numa qualquer scooter. A marca optou assim pela sensatez da segurança, ao colocar de série pneus que, mesmo tendo gomos um pouco mais salientes e a darem a ideia que são verdadeiros pneus mistos, na verdade estão mais à vontade em estrada e aí melhor servirão as necessidades da maioria dos compradores.

Poderá ser visto como um contra-senso face ao package apresentado por este modelo, mas a Honda acaba por seguir aquilo que outros construtores também fazem, “obrigando” de alguma forma a que quem efectivamente tenha  vontade de lhe dar uma utilização trialeira, tenha de comprar o tipo de pneus adequado ou negociá-los logo na compra.

Como curiosidade, a Honda fez uma apresentação aos jornalistas numa reserva da Africa do Sul, onde cedeu diversas unidades com e sem DCT, tendo dividido os dias entre percursos maioritariamente de estrada (onde deixou os pneus de série) e percursos bem ao estilo da prova do Dakar, onde calçou a Africa Twin com belos “pitons de borracha”.

Em qualquer modelo, seja de que marca for, não basta ser trail para conseguir brilhar…os pneus têm uma parte bastante importante na forma como se desenrola o desempenho em off-road!

Assim, a Africa Twin exactamente como se apresenta de série, é no fundo uma moto segura em estrada, com um pisar que permite uma correcta leitura do que se passa a cada momento, que incute confiança e que permeia o condutor com uma estabilidade que não posso descrever de outra forma senão como sendo…fabulosa!



A acrescer a isso, é importante mencionar o trabalhar da suspensão, que mostrou ser muito confortável no setting que trazia regulado de fábrica, ao ponto de não ter sentido a mínima vontade em querer ir regular a carga para outra posição.

A minha condução a bordo deste modelo, que não me tirou o sorriso malandro do rosto ao longo de todo o teste, era baseada numa confiança que vinha a aumentar gradualmente.
Se logo no início e nas sucessivas trocas de mudanças até chegar a estrada aberta eu tratei a Africa Twin com delicadeza e muito respeito para com o punho direito, agora e passados que estavam uns bons Kms de condução, começou a haver um entrosamento maior entre homem e máquina, permitindo-me explorar as rotações e a elasticidade de um motor que não se negava à bravura com que se dispunha a satisfazer-me, com acelerações pujantes e bem acompanhadas de um ronco bem audível que saía daquele escape de saída dupla.




Os travões, com duplo disco flutuante na frente como já antes tinha referido – de 310 mm e pinças de 4 êmbolos - coadjuvado por um disco flutuante de 256 mm e pinça de 2 êmbolos na traseira, foram por mim testados 3 ou 4 vezes com mais determinação e quase sempre antes da entrada em rotundas largas, onde chegava com boa velocidade, sentido em todas essas vezes uma tremenda eficácia na forma como reduzem instantaneamente e de forma poderosa a velocidade àquela massa de 228Kg + o peso do puto que a conduzia.

Apertando a manete do travão dianteiro e em simultâneo calcando o pedal do travão traseiro de forma mais bruta, leva a que a suspensão desta trail e como de alguma forma já esperava, afunde um pouco na frente por via do seu longo curso, mas nada que roce o exagero nem a sentindo a perder a compostura ou direccionalidade.

Outra coisa que notei e aqui com particular agrado, foi a facilidade no dosear da potência dada aos travões (novos em folha, é bom relembrar) e ao feedback instantâneo que era recebido por parte dos mesmos, numa clara demonstração que não foi deixado por fazer o trabalho de casa no que toca à generosidade da dimensão e efeitos práticos que os discos promoviam, sempre que eram chamados a intervir na condução.

Com o passar dos Kms fui-me esticando mais na forma como a inclinava em curva, como a acelerava com mais vigor, como propositadamente lhe alterava e aumentava os decibéis na transição das baixas para as médias rotações, tentando ainda assim ter sempre presente que os pneus eram praticamente novos e que a ambientação ao modelo tinha de a fazer com cautela e, tanto quanto possível, longe dos excessos que seriam mais naturais a um expert.

Neste ambiente de circulação, a unidade da Africa Twin que me fora cedida lamentavelmente não tinha um trunfo especial e cuja sigla é por demais conhecida: a caixa automática DCT - Dual Clutch Transmission, ainda que convenha desde já dizer que não é bem a mesma caixa que a marca tem usado…

Na verdade, tal como outros modelos da marca recentemente anunciados, a caixa DCT da Africa Twin e que pretendo em breve testar logo que chegar uma unidade com a mesma, faz uso da mais recente actualização do sistema, mas….possui um sistema aprimorado também para o uso off-road, ainda que nesse tipo de uso em particular já lá chegaremos.
Daquilo que conheço deste tipo de caixa noutros modelos, impera a enorme facilidade na condução, conseguindo-se andar tanto num modo de total relax (modo D da caixa) durante Kms a fio, como mudar para o modo S – que nesta última actualização possui 3 modos de resposta selecionáveis S1, S2, S3 - e esmagar por completo o punho direito numa qualquer ultrapassagem.




Compreendo perfeitamente que a utilização de uma caixa automática numa moto com um nome destes e com um porte físico e aptidão para o off-road como o que apresenta, pode ser considerado quase um sacrilégio…mas a verdade é que o sistema DCT foi bastante aclamado pela crítica e funcionou muito bem…tão bem que só mesmo um piloto com alguma experiência conseguirá retirar melhor rendimento do motor nessas condições de circulação.

Mas não era o que eu tinha ao dispor, pelo que fiz o uso normal da transmissão standard, equipada com embraiagem deslizante, que demonstrou sempre um funcionamento muito fácil, directo e com bastante reactividade por parte do motor.
Querendo ser destemido e fazendo as trocas de caixa mais rápidas e com as rotações mais altas, o motor da Africa Twin correspondia com genica e fazia-o de tal forma, que logo à primeira investida me fez soltar inadvertidamente um “Uooouu”, como que se de um cavalo em estado bravo se tratasse.

O normal “clonk” na passagem de caixa, bastante directa e bem sincronizada diga-se, não é particularmente audível nesta moto pelo simples facto de que o escape se encarrega de abafar e tomar conta de todo e qualquer ruído…
Um som cheio e encorpado que parece mostrar-se sem filtragem, sobretudo em regimes baixos/médios, e que nos acompanha a todo o momento da condução...

A dada altura entusiasmei-me com as reduções, pois parecia que a Africa Twin me incitava a “brincar” com aquela espécie de gorgolejar que saía do escape…..4ª, 3ª, 2ª…..dá-lhe gás novamente….

Uma moto em estado adulto que parecia ter o temperamento de um puto de escola que se acha o maior, que conquista as miúdas à sua passagem, que faz voltar cabeças quando a sua presença se faz notar.
Uma moto com um comportamento bastante saudável em estrada, com um pulmão bastante cheio e voluntarioso…e uma segurança e confiança transmitida ao condutor, capaz de transfigurar qualquer dia de stress num dia, no mínimo, bem diferente para melhor!

Mas não se fica por aqui…a Africa Twin é uma moto que tem a particularidade de conseguir extrair do condutor o seu lado mais intrépido e aventureiro, que tem a capacidade de lhe dar a confiança necessária a olhar para a condução de uma moto como algo verdadeiramente divertido e emocionante.

Com a Africa Twin, antevejo que qualquer trajecto para ir do ponto A ao ponto B, feito numa base de dia-a-dia, por mais simples ou monótono que à partida pareça ser, tem no mínimo um efeito imediato no lado emocional...na forma de um sorriso difícil de desaparecer do rosto!




Quanto ao off-road…vamos fazer uma visita ao campo!

Já o devo ter referido por um par de vezes a amigos, mas no que irei descrever de seguida terei de voltar a fazer a menção: Uma incursão muito soft em off-road com uma Transalp não me torna experiente em off-road, nem sou daqueles que se considera como o campeoníssimo Stéphane Peterhansel, pelo que terei de remeter os meus intentos à humildade com que me esforço em aprender.

E a Africa Twin mostrou ser mais do que uma escola…

Entrar em terrenos menos próprios à maioria das motos seria no mínimo sinal para ficarmos algo temerários com aquilo que tínhamos por diante, mas decido ainda assim avançar e acreditando mais na máquina do que em mim próprio.

A distância livre ao solo da Africa Twin é de uns mais do que respeitáveis 250mm, o que numa moto de série e sem preparação específica não é de descartar, permitindo-me passar por verdadeiros buracos sem correr o risco de assentar a zona inferior da moto.

Decido reduzir a marcha para uns 10-15 Km/h, mantendo a 2ª relação engrenada e bem visível no mostrador da Africa Twin, e avaliar a motricidade da máquina em terra um pouco solta, lavrada recentemente (escolhi as zonas mais fáceis, por receio) e algo abatida com recentes chuvadas, que fazia os pneus enterrarem-se com facilidade.




Naturalmente que não poderia estar à espera que os pneus fossem pau para toda a obra e em determinados momentos (…ainda que não me tendo imobilizado), notava-se uma leve dificuldade em gerir aquele piso mais “manhoso” que se agarrava e preenchia por completo os rasgos do pneu traseiro, faltando o necessário grip para que o binário fizesse o seu trabalho de forma desimpedida.

No fundo eu estava a confrontar todo aquele arsenal de especificações "à Africa Twin" com um trabalho inglório, quase como que pedindo e desculpem a comparação “…que um atleta profissional de triatlo fizesse uma prova de campo com uns sapatos de vela”.
Havia motricidade é certo, havia poder e força para levar de vencida o delicado terreno, mas os pneus de série estavam a ser confrontados com aquilo para o qual não tinham sido desenvolvidos.




O peso não se manifestou negativamente, mesmo a tão baixa velocidade, tendo-me colocado de pé nos estribos por alguns momentos, inclinando-me um pouco para a frente e assim deslocando o peso nesse sentido, por forma a provocar aquela vermelhinha (cor designada - CRF Rally) com algumas aceleradelas…

O meu objectivo era, está mais do que visto, tentar levar a que a tracção e a motricidade fossem colocadas à solta e a roda traseira derrapasse, mas de facto não me excedi mais do que aquilo a que pouco mais poderei chamar de …tentativas…fosse pela minha falta de experiência neste tipo de terreno ou pela entrada do binário, que se fazia sem cerimónias se o punho direito ganhasse entusiasmo para lá do normal.

Ainda assim e particularizando a este tipo de terreno e velocidades utilizadas, é relevante dizer que o motor não entra com picos na forma como debita a entrada do binário, ou seja, tem uma espécie de “brutidade controlada”.
Para ser ainda mais simples na explicação, a forma como o motor responde é como se fosse uma linha num gráfico que descrevesse um arco ascendente, com progressividade…e não uma seta que aponta direita para cima, como se descarregasse todo o seu vigor de forma intempestiva.

Aqui neste contexto muito particular, se acaso tivesse ao dispor a versão DCT, seria a mesma e em conjunto com o HSTC (Sistema de Controlo de Binário Honda) a tomar as rédeas das operações e a gerir habilmente aquele tipo de terreno, como se de um cérebro se tratasse e conhecesse a forma de enfrentar o terreno que lhe era colocado defronte.




Mas não era o DCT nem o HSTC que tinha ao dispor, era sim a versão standard que muitos puristas irão procurar, pois vêm nas ajudas electrónicas verdadeiros empecilhos que, dizem, tiram todo e qualquer prazer à condução…algo com que não concordo por inteiro, acabando normalmente por confrontar a pessoa com quem falo, perguntando “…mas já experimentaste mesmo, ou simplesmente achas que não gostas?”

No entanto e aqui tenho de dar a mão à palmatória, o prazer obtido na troca de relações em terrenos rápidos é muito gratificante…e mais ainda quando se recebe um feeling daqueles, uma conjugação tão bem mecanizada entre motor e transmissão como a Africa Twin consegue fazer.
Ainda sobre a transmissão e que mais acima neste report mencionei ser do tipo embraiagem deslizante, devo dizer e sem o mais pequeno exagero nas palavras, que esta terá sido a moto por mim conduzida que, até hoje, mais facilmente e sem esforço algum permitiu a engrenagem das relações.

Dou por mim, a dada altura do teste em estradões de terra batida, a fazer passagens de caixa apenas com um toque ligeiríssimo na manete de embraiagem, que pega logo no início e sem necessidade de recolher mais do que meros 2-3cm…é fenomenal caros companheiros, tão fenomenal que teve mesmo um impacto positivo na forma como usufruía da mecânica!!
As quebras de regime nas trocas de relação são reduzidas ao mínimo e se a vontade, a coragem e a competência para tal for a de manter as rotações sempre bem altas, podem crer que a precisão de engenharia colocada a bordo da Africa Twin pemite-o mesmo!




Porém e por mais que me tenha esforçado neste tipo de terrenos trialeiros e a que, confesso, estou muito pouco habituado, devo dizer que o off-road puro e duro que este modelo consegue fazer está bem acima daquilo que eu conseguia extrair dela….tendo sido mais a Africa Twin a incitar-me a ir mais longe e a levar o percurso com um aumento gradual na dificuldade do terreno, do que efectivamente eu a fazer algo para isso.

Mesmo com aquele tipo de pneus bem longe de serem aptos à aventura, confrontei-a com zonas de cascalho, terra solta, terra lavrada, gravilha e buracos…e não fosse a Africa Twin mostrar que sabe fazer mais de metade sozinha, e eu não me teria aventurado tanto quanto fiz.
A Honda conseguiu criar um modelo bastante multifacetado e que tanto dará para os prós, como para os newbies que se iniciam neste tipo de aventuras, ou à simples descoberta de trilhos.

Voltando novamente ao sistema DCT que anseio por testar em breve, a marca alega em termos de funcionamento aquilo que já foi entretanto comprovado por reviews levados a cabo por profissionais na área, ou seja, a preparação deste modelo de série permite-lhe atacar terrenos bastante difíceis, inclusivamente enfrentar subidas e descidas com graus assinaláveis, tendo a caixa DCT no modo off-road e em conjunto com o sistema de controlo de binário HSTC, uma leitura precisa do que se passa na condução e nas reacções do terreno, levando a que faça uma óptima gestão nas passagens de caixa e entregando a força necessária a cada momento, evitando desta forma perdas de motricidade e, consequentemente, perda do controlo da máquina.




A nova Africa Twin, nas duas versões mais caras, possui um botão ao lado do painel de instrumentos que tem uma letra – “G” – e ao premi-lo, a tracção e o controlo da moto aumentam, reduzindo o deslizamento da embraiagem durante as passagens de caixa.

Ora isto aliado ao desenvolvimento desta caixa automática DCT, que dispõe de sensor de inclinação que lhe altera, consoante o grau, o padrão de passagem das mudanças, resulta no debitar do binário mais adequado tanto às subidas mais inclinadas, como um maior controlo do motor nas descidas mais pronunciadas.  

No fundo, a Africa Twin não é nenhum brinquedo high tech
Trata-se de um apuramento rigoroso de uma máquina, que tanto consegue levar com segurança o seu newbie a qualquer lugar, ao ponto de o fazer pensar que sabe de facto andar em off-road (o que não é o caso!)…como enfrentar terrenos difíceis, de forma abusiva e sem contemplações, com um pro aos seus comandos.

Uma frase ilustra bem o que referiu um dos convidados (piloto de adventure bikes e jornalista da MotorcycleNews.com) no teste que levou a cabo numa reserva da África do Sul:  “As a passionate off-road rider I have to say that from the first contact with the dirt today, Honda’s claims are genuine and well founded. It feels well balanced, easy to ride and a lot less intimidating than anyone of the 1200cc adventure bikes currently on offer.”




E na cidade? Isto é máquina para intimidar um pouco em circuito urbano??

Tendo eu lido tanto acerca deste modelo, não pude deixar de me lembrar e enquanto me dirigia para algumas ruas de calçada de granito da cidade de Évora, que o líder do projecto Mr. Y. Hasegawa, tinha mencionado que com a nova Africa Twin tinham alcançado a criação de uma verdadeira moto talhada para a aventura, mas simultaneamente multifacetada na forma como permitia ser conduzida como moto de uso no dia-a-dia:
“...we wanted to create a full-scale true adventure motorcycle that was equally enjoyable and capable in crossing vast continents as it was on the highway and in everyday use.
...our CRF1000L has off-road ability that makes dirt roads a joy to tackle, with the comfort of a tourer and agility of a commuter. In other words, a model truly worthy of inheriting the Africa Twin name.”


A forma como isto se reflecte na realidade, não está muito longe da verdade, mas merece ainda assim alguns apontamentos naquilo que senti em termos de condução citadina.

E começo desde já pelo que desagrada em qualquer moto de caixa e…p.f., não venham os puristas dizer-me que “não é bem assim”…. ...falo concretamente do pára-arranca e das constantes trocas de caixa...

Não é que seja desagradável fazê-lo na Africa Twin ou mesmo outro modelo, nada disso, mas aqui no caso em apreço e sendo uma moto relativamente alta e com uma largura de guiador apreciável, é importante ter muita atenção a determinados tipos de piso e vias mais estreitas, sobretudo quando chega o momento de pousar o pé numa qualquer imobilização repentina e inesperada por imposição do tráfego, tal como me sucedeu neste teste…e onde somente alguma sorte e movimentos rápidos me possibilitaram agarrar aquela massa que me queria fugir debaixo. Quando a ocasião surge repentina e por muito bem distribuído que esteja o peso...que no caso está mesmo...sempre são quase 230Kg + condutor, sendo necessária alguma cautela.

É nestas e noutras muito particulares alturas que a caixa automática DCT, sobretudo na declinação do selector D (Drive), numa gestão correcta do binário da moto e evitando o factor humano para embraiar, consegue dar uma fluidez de condução incomparável.

A hora do dia já estava bastante avançada, o teste já decorria há praticamente 3 horas, com inúmeras interrupções para fazer uma reportagem fotográfica, e decido prolongar apenas por mais alguns instantes o trajecto citadino, num itinerário diferente daquele que habitualmente faço e que conheço tão bem.

E é nessa continuação de teste que volto a reparar nos comandos da moto, bastante salientes, com o normal botão do corta-corrente à direita e com dupla função (premido para baixo faz de starter) e os comandos do computador de bordo do lado esquerdo, em tons de cinza.




A maneabilidade deste modelo sai também a ganhar em cidade no que toca à sua brecagem (termo um pouco mais utilizado nos automóveis do que nas motos), pois a amplitude de movimento dado pelo guiador permite virar as rodas num ângulo mais favorável em espaços apertados, como verifiquei e de que fiz uso ocasional sempre que aprontava a máquina para mais umas fotos e precisava de a mover à força de braços.

A cidade, não sendo um local onde a Africa Twin se sinta “como peixe na água”, é ainda assim um cenário que digere muito bem e que a ambientação e habituação no tempo às suas reacções, por certo farão dela uma boa moto do dia-a-dia…capaz de brindar com muito conforto (a filtragem das suspensões é óptima) e capaz de enfrentar todo o tipo de desafios e pisos degradados que se encontram em muitas das cidades deste país.

No cômputo geral, a Africa Twin CRF 1000L tem de ser vista num todo e não em partes…

Apontar o dedo a um modelo como este e com este porte físico, para dizer que é boa nisto e menos boa naquilo, pode carecer de alguma falta de rigor por via da generalização que se lhe pretenda impor, como se fosse obrigada a ter nota 20 em todo o tipo de ambientes que se lhe colocar defronte.

Motos perfeitas não as há, pelo que a Africa Twin também não é diferente nesse aspecto….
Vista como é e livre de bajulamentos ditados pela empatia, é uma máquina que mostra ser, isso sim, muito competente em diversos ambientes e capaz de justificar de pleno direito, os muitos €€€´s que por ela são pedidos…

O escritor Fernando Pessoa disse: “O Homem é do tamanho do seu sonho”….e se fosse apenas e só pelo tamanho do sonho que foi conduzir este modelo, eu seria o dobro do homem que sou quando terminei este teste!


-----------------------------------------------------

Agradecimentos:
- À Honda Portugal, na pessoa do estimado Carlos Cerqueira, Director de Comunicação e Relações Públicas da Honda Motor Europe Portugal;
- À simpática e sempre disponível equipa /colaboradores do concessionário Motodiana.
avatar
LFTransAlp
2º engrenada
2º engrenada

Número de Mensagens : 246
Masculino
Idade : 55
Data de inscrição : 15/09/2011

A Mota
Marca Mota: Triumph
Modelo Mota/ano: Tiger 800 Xcx - 2016
Kms: a rock and rollar...

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  LFTransAlp em Seg 18 Jan 2016, 12:22

Parabêns por este Test Drive e pela partilha de informação.

Quanto a mim, ... EU QUERO UMA!!!!!! bounce

Boas TransAlpadas...


=================================================================================================================

avatar
Fernando F
5ª engrenada
5ª engrenada

Número de Mensagens : 582
Masculino
Idade : 53
Data de inscrição : 28/11/2012

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Fernando F em Seg 18 Jan 2016, 15:34

Bem. ..grande reportagem!! Parabéns pelo texto está muito bom.
A mota...tenho de arranjar maneira de a experimentar, já estou a ver.
A TA não pode saber. ..
avatar
miguel almeida
5ª a Fundo
5ª a Fundo

Número de Mensagens : 2861
Masculino
Idade : 43
Data de inscrição : 25/08/2012

A Mota
Marca Mota: Honda
Modelo Mota/ano: Varadero 1999
Kms: 40000

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  miguel almeida em Seg 18 Jan 2016, 21:35

Eu tamemnhe quero !!!!
avatar
nunobit
1ª engrenada
1ª engrenada

Número de Mensagens : 102
Masculino
Idade : 44
Data de inscrição : 16/12/2014

A Mota
Marca Mota: Honda
Modelo Mota/ano: Transalp 650 2007
Kms: 36000

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  nunobit em Ter 19 Jan 2016, 13:07

Excelente reportagem, notou-se paixão cheers

Depois de ler este texto apenas questiono onde estão os €€ q me faltam? Neutral Neutral

Obg pela partilha.

Abrç
avatar
kuhn
1ª engrenada
1ª engrenada

Número de Mensagens : 115
Masculino
Idade : 37
Data de inscrição : 17/03/2014

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  kuhn em Sab 06 Fev 2016, 09:12

A nova nc 750x 2016 também está muito boa



mas gostei mais de conduzir a nova africa twin Razz

mas mesmo assim não troco pela minha v strom hehehehe
avatar
Transouto
O Pai do Forum
O Pai do Forum

Número de Mensagens : 5386
Masculino
Idade : 41
Data de inscrição : 11/09/2007

A Mota
Marca Mota: Honda
Modelo Mota/ano: Transalp XL 650 V/2006 /Africa twin 2016
Kms: 32 000 km(+ 100 000km) /17 000km

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Transouto em Dom 07 Fev 2016, 12:25

GRANDE reportagem Sapiens21... cheers cheers cheers cheers cheers cheers

Tudo dito e talvez ainda não chegue para se descrever o que se sente no Teste drive.......experimentem....

V


=================================================================================================================

Transalp é Transalp e mai nada..
avatar
Cou
5ª a Fundo
5ª a Fundo

Número de Mensagens : 1080
Masculino
Idade : 45
Data de inscrição : 25/09/2007

A Mota
Marca Mota: Honda
Modelo Mota/ano: Transalp XL650V
Kms: 99xxx

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Cou em Sab 20 Fev 2016, 20:23

Boas...
Colega Sapiens21 seria possível ver que tipo de lâmpada essa mota tem se e led e o formato ou lâmpada normal


=================================================================================================================

"Ser livre não é ter asas; é ter uma Honda Transalp!"
Escapadinha Penha da Rainha - Escapadinha Mesa dos Quatro Abades - Escapadinha até Aldeia ERMIDA - Escapadinha Miradouros Corno Bico- Escapadinha Pontes Rio Neiva  

Coutada
avatar
Rui Tavares
2º engrenada
2º engrenada

Número de Mensagens : 251
Masculino
Idade : 54
Data de inscrição : 11/05/2009

A Mota
Marca Mota: Honda
Modelo Mota/ano: XL600V
Kms:

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Rui Tavares em Qua 23 Mar 2016, 17:00

Excelente descrição apaixonada e por isso mesmo isenta.

"Tendo em mim todos os sonhos do mundo", este completar-me-ia na perfeição (o espaço na garagem)


=================================================================================================================

Nunca a TA rebaixarás
Ou as melhores vistas perderás

http://rodaspequenas.blogspot.com

Conteúdo patrocinado

Re: TEST-RIDE » Africa Twin CRF 1000L

Mensagem  Conteúdo patrocinado


    Data/hora atual: Ter 23 Out 2018, 18:01